Badwater Adventure 2014

O desafio Badwater

Um dos maiores desafios criados ao ser humano chama-se Badwater Ultramarathon, consiste em percorrer 217Km no mês de Julho com temperaturas elevadíssimos, num local inóspito conhecido por vale da morte (Death Valley), com uma duração estimada de 24 horas para os atletas mais rápidos.
Eu não fui o protagonista desta história mas assisti tudo na primeira fila, registando em vídeo, resultando assim no documentário: Badwater UltraMarathon Race 2014 – Documentary.

Carlos Sá, ultramaratonista português conhecido pelas suas aventuras, consegue no ano de 2013 fazer o primeiro lugar nesta prova épica, em 2014 com o dorsal nº 1 regressa. Com uma preparação física longe do ideal decide realizar mais este “feito” e acaba com um fabuloso 3º lugar, pois surgiram diversos contratempos que podem ser confirmados no documentário.
A oportunidade de poder acompanhar o Carlos surgiu pelo convite do mesmo e dos seus patrocinadores (Berg e Saúde CUF), de forma a criarmos uma vídeo que retratasse toda a aventura. Aceitei, sem qualquer tipo de hesitação, até porque teria a possibilidade de partilhar uma aventura de diversos dias com alguns dos meus ídolos, mas também porque a prova se realizava no estado da Califórnia e iria concretizar um dos meus sonhos, ir ao EUA.

Viagem sublime

A viagem até ao dia da prova foi sublime, cansativa pelas suas 18 horas de voos, mas com a possibilidade de conhecer cidades americanas como Nova Iorque e Las Vegas.
Estando eu a viver um filme americano e ao mesmo tempo fazer o meu próprio filme, faz com que tivesse uma das melhores experiências da minha vida, tentava recolher o máximo de imagens possíveis, sabendo à partida que não iriam ser usadas… mas a experiência diz-me: mais vale recolher imagens a mais do que me arrepender.

Badwater, a prova.

O dia da prova foi uma luta entre a emoção e a razão, ao mesmo tempo que tudo de bom e mau acontecia à frente da camera, eu não podia fazer nada, estava proibido pela organização em intervir com apoio logístico, só podia recolher imagens à distância.
Como atestam as imagens do documentário, durante a prova existiram momentos altos e baixos, por várias vezes o Carlos estava para desistir, mas com uma força interior única o Carlos não desistia e continuava a correr. Com o apoio fundamental de uma equipa atenta e motivadora foi possível chegar ao fim e ter a sensação de dever cumprido para quem o acompanhava localmente, mas também para quem acompanhava toda a ventura através das redes sociais.
Foram 26 horas consecutivas com a adrenalina no máximo, esforço físico levado ao limite, resultando numa experiência inesquecível.

 

Subida ao Mount Whitney

Esta viagem videográfica não terminou com a prova, um dia depois toda a equipa, comigo incluído, estava a caminho do cimo do Mount Whitney, o ponto mais alto dos EUA, com cerca de 4500 metros de altitude. Eu que nunca tinha estado sequer no topo da Serra da Estrela, consegui atingir o topo e estava a aguentar-me, apesar dos efeitos secundários da altitude aparecerem, como enjoos e dores de cabeça (era o cérebro com falta de oxigénio). No topo recordo-me de ter dormido uma sesta de 15 minutos, e fazermos uma sessão fotográfica.

Descida ao Grande Canyon

A aventura videográfica não poderia ter terminado sem visitar um dos locais mais cinematográficos da nossa galáxia, o Grand Canyon. A partir do momento em que entremos na área do Grand Canyon parece que estamos noutro planeta, é um cenário brutal para fotógrafos e videografos que para onde apontam a camera conseguem um belo “shot”. Local fantástico também para o Trail Running, Carlos Sá e Harvey Lewis não paravam de correr quer pelo prazer quer pera a “fotografia”, Foram cercade 16 Km sempre a descer, lá no fundo as temperaturas são tão elevados que é proibido descer e subir no mesmo dia, a nossa equipa à boa maneira “tuga” infringiu as regras, descemos e subimos no mesmo dia. Eu carregado de material esgotei todas as minha forças, recordo o meu corpo completamente desidratado mas também recordo o companheirismo que me trouxe de volta ao topo do Grand Canyon.

Conclusão

Uma aventura que ficou gravada no cérebro e ao mesmo tempo no sensor de uma camera Panasonic Lumix GH6, imagens essas que demoram 4 meses a editar, mas que pelo feedback recebido, valeu todo o esforço, uma vez que o resultado em vídeo conseguiu atingir todas as expectativas.

Obrigado, Marco Neiva